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A vida é um lençol curto

February 26, 2018

 

Acordei outro dia com muita preguiça. Era preguiça de abrir os olhos, de ver as horas, de lembrar qual dia da semana era e até de me espreguiçar. Respirei fundo, puxei todas as forças do meu ser e soltei o peso do meu corpo no colchão, que me acolheu ainda mais. Estava com uma sensação de que estava faltando algo. Nada de muito importante, mas me parecia algo essencial. 

Pensei: tenho uma cama confortável para dormir, me alimento bem e a minha comida é saudável, meu chuveiro é incrível, trabalho com o que amo e ainda consigo fazer alguma diferença no mundo. Meus amigos são como família e minha família é acolhedora. Estou em um relacionamento em que amo e sou amada. Viajo e conheço culturas e pessoas especiais. Tenho a sensação que o mundo é minha casa. Mas... por que estou sentindo que falta algo? O que falta? Quem falta?

Tat Tvam Asi. 

Ouvi essa frase na Índia em 2009. Fiz aquela cara de quem não entendeu nada e logo depois veio a explicação. Essa é uma frase Védica, um Mahavakya, grande sentença dentro do Vedanta. E o Vedanta é a parte dos Vedas que fala somente sobre a natureza do Eu, o autoconhecimento. E significa que em todo momento que você está sentindo falta de algo, o que realmente está faltando é a sua presença naquele momento. O que falta é você. 

Quando buscamos coisas, pessoas, realizações para nos sentirmos satisfeitos e felizes, essa sensação de preenchimento dura muito pouco e logo depois vivenciamos essa ausência, essa falta. E novamente buscamos coisas, pessoas, realizações para preencher esse vazio, essa inquietude, essa inadequação que está dentro de nós. Mesmo quando alcançamos o que queremos, essa sensação não perdura. Isso é o que Vedanta chama de problema fundamental. A única maneira de transitarmos por essa vida de forma mais fluida e com menos sofrimento é reconhecendo a nossa natureza, quem nós realmente somos. 

Somos essa presença invariável, consciente, que reconhece cada transformação do corpo, da mente e do mundo. Existe uma realidade mutável, dual, que é o mundo e tudo que tem nele. Tudo que está no tempo e espaço, como o nosso corpo, a mente, tudo que conhecemos e, também, tudo que existe e não conhecemos. Tudo! E a natureza dual é que transforma, que é mutável. Uma hora está de um jeito e outra hora está de outro jeito. E nem sempre do jeito que esperamos ou queremos. 

É por isso que brinco dizendo que a vida é um lençol curto. Ou se cobre a cabeça ou os pés. Para cobrir os dois, somente se encolhendo e não foi isso que viemos fazer aqui.

SOMOS inteiros,  plenos, invariáveis e ESTAMOS na dualidade, que uma hora está quente, outra hora está frio. Uma hora gostamos do quente e outra hora não gostamos mais.

Estamos aqui para amadurecer, aprender a caminhar e desfrutar da vida porque a única certeza é que ela vai mudar. E quando surge uma falta de algo que não sabemos o que é, a saída é Tat Tvam Asi;  reconhecer que somos tudo aquilo que procuramos!

 

*texto inspirado depois de ver o video da Jout-Jout.

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